Na Zona da Mata mineira, uma cidade de 80 mil habitantes se destaca na ciência agrícola brasileira. Na leitura de Alfredo Moreira Filho, empresário que teve Viçosa entre as paradas de sua trajetória até Brasília, a cidade é um exemplo de como uma instituição de ensino pode transformar o perfil econômico e social de toda uma região.
O motivo dessa projeção tem nome: a Universidade Federal de Viçosa, a UFV, criada há mais de um século como escola de agricultura e hoje presente nos principais rankings internacionais da área. Entenda, a seguir, como essa história começou, o que fez da instituição uma referência e de que forma ela moldou a cidade ao seu redor.
Uma escola criada para modernizar o campo
A origem da UFV está ligada a Arthur Bernardes, natural de Viçosa, que, como presidente da República, criou na cidade a Escola Superior de Agricultura e Veterinária, conhecida pela sigla Esav. Em um país cuja economia dependia quase inteiramente da agricultura, a proposta era formar profissionais capazes de levar métodos científicos às lavouras e às criações.
O modelo adotado se inspirou nas universidades agrícolas dos Estados Unidos, que combinavam ensino, pesquisa e extensão rural. Para dirigir a nova escola, foi convidado o norte-americano Peter Henry Rolfs, cujo nome hoje identifica a principal avenida do campus. Segundo Alfredo Moreira, essa combinação entre formação técnica e aplicação prática ajuda a explicar por que a instituição ganhou relevância tão rapidamente.
De escola agrícola a universidade federal
Com o passar das décadas, a Esav ampliou sua atuação e se transformou na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais. Mais tarde, foi federalizada e passou a se chamar Universidade Federal de Viçosa, nome que mantém até hoje.

A expansão não se limitou ao nome. A UFV conta atualmente com três campi, em Viçosa, Florestal e Rio Paranaíba, e oferece cursos nas áreas de ciências agrárias, biológicas, exatas e humanas. A instituição já formou mais de 60 mil profissionais ao longo de sua história. Conforme pondera Alfredo Moreira Filho, a diversificação dos cursos não apagou a vocação original, que segue concentrada nas ciências agrárias.
A UFV nos rankings internacionais
A reputação da universidade é confirmada por avaliações externas. No ranking regional QS mais recente, a UFV alcançou a 81ª posição entre as universidades da América Latina e do Caribe. Na classificação temática do Academic Ranking of World Universities, a instituição aparece entre as 150 melhores do mundo em agricultura e ciências florestais.
O desempenho é ainda mais expressivo nas áreas específicas. As ciências agrárias, as ciências vegetais e animais e a biotecnologia estão entre os principais destaques da universidade nas avaliações internacionais. De acordo com Alfredo Moreira, esses resultados mostram que é possível produzir ciência de alto nível fora dos grandes centros urbanos, desde que haja foco e continuidade.
Uma cidade que gira em torno do campus
A presença da UFV transformou Viçosa. Com população estimada em quase 80 mil moradores, a cidade tem na universidade uma das bases de sua economia, movimentada por estudantes, professores, pesquisadores e serviços voltados à comunidade acadêmica. O campus funciona, na prática, como um grande parque urbano, com áreas verdes, laboratórios e espaços de convivência.
A universidade também mantém um parque tecnológico que abriga empresas interessadas em pesquisa e desenvolvimento em parceria com a instituição. Essa aproximação entre academia e mercado amplia o alcance do conhecimento produzido no campus. À luz do que observa Alfredo Moreira Filho, Viçosa mostra como a educação pode se tornar o motor de uma cidade inteira e projetar seu nome muito além dos limites da Zona da Mata.