Muitas empresas adotaram o trabalho híbrido, mas seguem gerindo as equipes como se todos estivessem no escritório. De acordo com Marcio Alaor de Araujo, empresário com foco em resultados, a contradição explica parte das queixas sobre produtividade, comunicação e integração em equipes híbridas. Liderar nesse modelo exige ajustes concretos, que podem ser organizados em etapas e aplicados de forma gradual.
Definir regras claras de presença
O primeiro passo é estabelecer com clareza quando a presença é necessária. Regras vagas, como comparecer quando fizer sentido, geram desencontros e escritórios esvaziados nos dias errados. Definir dias fixos para encontros da equipe, reuniões presenciais e atividades que dependem de colaboração direta dá previsibilidade e aproveita melhor o tempo juntos. A previsibilidade também facilita a organização da rotina pessoal de cada profissional.
As regras devem considerar a natureza do trabalho de cada área. Funções que dependem de interação constante com clientes ou colegas exigem mais presença do que atividades de análise ou produção individual. Explicar os critérios adotados, em vez de impor uma regra única sem justificativa, aumenta a adesão e reduz a sensação de tratamento desigual entre equipes.
Organizar a comunicação da equipe
Em equipes distribuídas, a comunicação informal do corredor desaparece, e informações importantes deixam de circular. Definir canais para cada tipo de assunto, como mensagens rápidas para questões urgentes, documentos compartilhados para registros e reuniões para decisões, evita ruídos e reduz o excesso de mensagens que interrompe o trabalho ao longo do dia.

Conforme aponta Marcio Alaor de Araujo, o registro das decisões ganha importância no modelo híbrido. Quem não participou de uma reunião precisa saber o que foi decidido, por quem e com quais próximos passos. Atas curtas, painéis de acompanhamento e rotinas de atualização mantêm todos alinhados, independentemente de onde estão trabalhando naquele dia.
Avaliar por entregas, e não por presença
Um dos maiores desafios para gestores é abandonar a avaliação baseada em presença física. No escritório, estar à vista costuma ser confundido com produtividade. No modelo híbrido, o critério precisa mudar para resultados concretos, com metas claras, prazos definidos e indicadores que permitam acompanhar o trabalho sem depender de vigilância constante. Sem o ajuste, gestores tendem a desconfiar de quem trabalha a distância.
A mudança exige cuidado para evitar injustiças. Profissionais que vão mais ao escritório podem receber mais atenção e oportunidades simplesmente por estarem próximos da liderança. Acompanhar de forma equilibrada todos os integrantes da equipe, com conversas individuais periódicas, garante que a avaliação reflita o desempenho real, e não a visibilidade de cada um.
Preservar a integração entre as pessoas
Relações de confiança são construídas também em momentos informais, como um café, um almoço ou uma conversa no fim de uma reunião. No trabalho híbrido, as oportunidades diminuem, e novos integrantes têm mais dificuldade de se sentir parte do grupo. Sem atenção, a equipe se transforma em um conjunto de pessoas que apenas trocam tarefas.
Encontros presenciais planejados com propósito, como reuniões de planejamento, workshops e momentos de confraternização, ajudam a fortalecer vínculos, pondera Marcio Alaor de Araujo. Em vez de reunir as pessoas apenas para trabalhar em silêncio no escritório, os dias presenciais funcionam melhor quando concentram atividades que realmente se beneficiam da convivência.
Preparar a liderança de equipes híbridas
Gerir equipes híbridas exige habilidades que muitos gestores não precisaram desenvolver antes. Comunicar com clareza por escrito, conduzir reuniões com participantes presenciais e remotos, perceber sinais de desmotivação a distância e manter a coesão da equipe são competências que podem e devem ser treinadas pela empresa de forma estruturada. O preparo evita que cada gestor improvise as próprias regras.
Como destaca Marcio Alaor de Araujo, o modelo híbrido não funciona apenas com regras e ferramentas. Ele depende de líderes preparados para confiar, acompanhar e orientar pessoas que nem sempre estão no mesmo lugar. Empresas que investem na formação da liderança aproveitam melhor a flexibilidade e evitam os problemas que levam algumas organizações a recuar do modelo.