Quem decide reformar a casa costuma travar numa escolha anterior ao orçamento. Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, a dúvida entre contratar um profissional de design de interiores ou um arquiteto se resolve quando o morador define com clareza o que pretende mudar. Trocar acabamentos, móveis e iluminação é um tipo de obra. Remover paredes, deslocar pontos hidráulicos ou redistribuir a carga elétrica é outro, com exigências técnicas e legais bem diferentes.
Design de interiores e o que a lei permite
A profissão de designer de interiores e ambientes foi regulamentada pela Lei 13.369, de 2016. O texto legal reconhece a atuação no planejamento de espaços internos, o que inclui layout, escolha de materiais, mobiliário, iluminação, cores e conforto do ambiente. Também estão previstas a especificação de revestimentos, a criação de peças de marcenaria e a compatibilização do projeto com o de outras áreas. Na prática, cabe a esse profissional transformar a forma como o espaço é usado sem alterar a estrutura do imóvel.
A mesma lei, porém, estabelece um limite claro. Quando o projeto envolve intervenção em elementos estruturais ou em instalações que exigem cálculo e responsabilidade técnica, a participação de um profissional habilitado para essas funções passa a ser obrigatória. O designer pode desenhar a cozinha integrada, mas a demolição da parede que a separa da sala depende de avaliação específica.
Onde começa a responsabilidade do arquiteto
O arquiteto tem formação que abrange projeto arquitetônico, estrutura, conforto ambiental e instalações, com atribuições definidas pela Lei 12.378, de 2010. Ao assumir uma reforma, ele emite o Registro de Responsabilidade Técnica, o RRT, documento que vincula seu nome ao que foi projetado e executado. Engenheiros civis cumprem papel semelhante por meio da Anotação de Responsabilidade Técnica, a ART.

Em apartamentos, a exigência fica ainda mais evidente. A norma ABNT NBR 16280 determina que reformas em unidades de condomínio sejam precedidas de um plano assinado por responsável técnico e apresentado ao síndico. Conhecer a regra antes de contratar, como pondera Daugliesi Giacomasi Souza, evita que a obra seja interrompida pela administração do prédio logo nas primeiras semanas.
Reforma estética e reforma estrutural lado a lado
Uma reforma estética muda o que se vê e o que se toca. Piso vinílico sobre o revestimento antigo, papel de parede, marcenaria planejada e novas luminárias em pontos já existentes são exemplos típicos. Em situações assim, o designer de interiores pode conduzir o projeto do início ao fim, com foco em funcionalidade, circulação e identidade visual.
A reforma estrutural, por sua vez, mexe no que sustenta e abastece o imóvel. Abrir vão em parede, trocar o box de lugar, instalar banheira ou ampliar a cozinha sobre a área de serviço demandam arquiteto ou engenheiro, conforme indica Daugliesi Giacomasi Souza. A diferença aparece também no custo, já que esse tipo de intervenção envolve laudos, aprovações e uma equipe de obra mais especializada. O prazo segue a mesma tendência, porque cada etapa depende da anterior e de vistorias que não podem ser antecipadas.
Quando os dois profissionais dividem o projeto?
Boa parte das reformas combina as duas frentes. Um apartamento antigo pode exigir a revisão completa da parte elétrica e, ao mesmo tempo, um novo conceito de ambientação para a sala e os quartos. Na divisão mais comum, o arquiteto responde pela parte técnica, enquanto o designer define materiais, mobiliário e composição dos espaços.
O resultado tende a ser melhor quando os dois conversam desde o primeiro esboço, e não apenas depois que a obra começou. O alinhamento antecipado impede, por exemplo, que um armário planejado colida com uma tomada mal posicionada ou que um forro rebaixado esconda a iluminação prevista.
Antes de fechar contrato, vale confirmar o registro do arquiteto no CAU ou do engenheiro no Crea e, no caso do designer, a formação na área. Na avaliação de Daugliesi Giacomasi Souza, com as atribuições definidas no papel, o orçamento fica mais preciso e o cronograma da reforma ganha previsibilidade.